terça-feira, 3 de julho de 2012

Entrevista com Patrick Roberto

O segundo entrevistado da nossa série “Nos bastidores da notícia” é o jornalista Patrick Roberto, chefe de redação do Correio do Tocantins (CT) e diretor de conteúdo portal CT Online. Formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB), o marabaense cresceu na redação de impresso. A seguir, confira a entrevista que ele concedeu ao nosso blog.

1. A sua relação com o jornalismo é antiga, afinal, você cresceu vendo o seu pai administrar o jornal mais antigo e mais lido da região: o Correio do Tocantins. Como isso influenciou a sua escolha profissional?
Influência total. O jornalismo é a mais fascinante das profissões, na minha visão. Não há rotina. Todos os dias há algo a descobrir. Conviver com profissionais da área, sobretudo com o meu pai, me trouxe naturalmente a esse caminho, me moldou. Ele é um leitor voraz de jornal que veio para o outro lado, virou o jornalista. Eu também sou assim, sempre escrevo imaginando as reações do leitor. Quero despertá-lo. Isso é fundamental para que o meu texto sempre seja interessante ao leitor moderno.

 2.      Atualmente você exerce a função de editor adjunto do jornal. Quais são os desafios diários no comando da equipe?
A redação é o núcleo do jornalismo. Todos deveriam passar por ela, antes de ir para a TV, o rádio ou para assessorias. É nela que podemos formar um profissional completo, antenado no mundo a sua volta, questionador, preocupado com a precisão. O meu desafio é esse, mostrar para a minha equipe que o redator é sempre mais cobrado do que qualquer outro. O que redigimos vira documento. Se escrevermos algo errado, o mundo cai nas nossas costas no outro dia, indelével no papel. O nosso sensor é sempre mais apurado. Quando um jornalista percebe que o seu trabalho fez diferença na vida das pessoas, é o ápice, e não estou sendo romântico na análise, é fato.

3.      Conte-nos sobre a sua trajetória profissional.
Ia estudar Publicidade e Propaganda. A mensagem sempre me seduziu muito. Mas depois percebi que sou comunicador, na forma mais engajada, que consigo olhar para uma cena e ver notícia nela. Cursei Comunicação na Católica de Brasília e, nesse período, trabalhei no Congresso Nacional com deputados do Pará. Esse contato com o poder da República foi fundamental para mim. Pude entender como funcionam as instituições, o equilíbrio de forças entre os partidos e entre os três poderes. Também nessa época, participei da elaboração de material informativo sobre o Estado do Carajás, quando me convenci de que esse sonho é justo e é viável. Formado, voltei para Marabá e fui encontrando os meus espaços. Um editor tem de ter uma visão geral das coisas, saber quem é quem e identificar interesses por trás de informações. Ouvir mais do que falar, porém interagir sempre.

4.      Sendo a publicidade a principal fonte de sustentação de um veículo, como você avalia o trato entre notícia versus relação comercial?
Não vejo traumas. Aqui, particularmente, temos um perfil editorial que é respeitado pelos nossos anunciantes e parceiros. Não há interferências. Ao contrário, os nossos anunciantes estão conosco justamente pelo perfil que temos. Trabalhar assim também tem seus custos. Temos de investir em qualidade e isso tem o seu preço. Lamento que alguns anunciantes em potencial não percebam isso e tentem manter conosco a mesma relação que têm com o panfleto distribuído na calçada. O público não vê um jornal e um panfleto com os mesmos olhos. Essa relação não mudou.

5.      Em sua visão, de que maneira a redação e o departamento comercial devem dialogar para não entrarem em conflito?
Devem estar próximos um do outro e não distantes. O jornal é uma empresa como qualquer outra, tem suas metas, seus objetivos e trabalha para alcançá-los. Também é um produto e o consumidor dele não quer se sentir traído, tem expectativas que precisam ser supridas. Tudo funciona em cadeia. À medida que alcançamos mais da confiança do leitor, subimos mais um degrau na do anunciante.

6.      Para você, como se dá a relação entre assessores e repórteres?
Estão em mundos diferentes. O assessor tem compromisso com o cliente que representa e o repórter, com o seu leitor. O segundo sempre vai lançar olhar pela ótica do consumidor de informação e não pela do consumidor do produto publicitário. O redator, que é na mão de quem vai parar o release, por exemplo, precisa ter essa medida, não pode se acomodar.

7.      Em seu entendimento, o que as empresas de jornalismo impresso têm feito para sobreviver ao advento das mídias digitais?
Aderir. Não adianta nos fecharmos. Estamos na era multimídia e precisamos nos adaptar a ela. A internet acostumou o leitor a um novo perfil, mas o jornal impresso ainda é visto como mais confiável. No caso do CORREIO DO TOCANTINS, o levamos para a grande rede, ele está eletrônico, pode ser folheado virtualmente. Lançamos o assinante online e o telefone não para de tocar para novas assinaturas. Conquistamos um leitor que está fora do Pará e do Brasil, que não teria acesso à banca da praça.

8.      Muitos jornais têm o futebol, o entretenimento e os casos policiais como assuntos preferenciais de seus leitores. Essas temáticas têm, de fato, repercussão entre o público leitor? De que forma isso é mensurado?
É acompanhado por pesquisas. Este ano vamos promover mais uma, de sintonia fina, para entender melhor ainda como está pensando o nosso leitor. Mas é notório que futebol, entretenimento e polícia têm um magnetismo maior com o público, vende jornal. É fato. Não creio que a nova pesquisa vá mostrar algo diferente, mas, sim, apontar o formato da informação que o leitor deseja.

Repórter: Aretha Fernandes

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